Projetos Passados (que viraram notícia :^) )

Estes últimos meses foram meses de poucas atualizações e muitos projetos. Mas, da mesma forma que falta tempo para lidar com a página também falta tempo para concluir estes projetos. Resultado é que a bancada fica abarrotada de plantas e planos em andamento, aviões inacabados e equipamentos em teste, uma balbúrdia. Entre o que está relativamente pronto, escolhi três projetos relativamente concluídos para descrever sumariamente, apenas para deixa-los a par do que está acontecendo. Não é coincidência que todos os modelos atuais sejam "made in depron", mas a falta de tempo aliada à preguiça desenfreada acaba nos levando a buscar alternativas mais acessíveis, mas isso é mera desculpa...

Drenalyn Tupiniquim


Admirava as linhas simples e o design arrojado deste modelo há já algum tempo, mas havia um empecilho que sempre barrava a construção dele. É que ele é controlado por elevons (uma mistura de elevador e aileron em duas superfícies independentes) e precisa de rádio com mixagem para esta função, o que não é o caso do meu rádio. Bom, acabei atinando com a possibilidade de tentar fazer um "mixer" mecânico para tentar voar o avião e me arrisquei na construção. Deu certo!


A asa propriamente dita é uma circunferência de depron e tem 42 cm de diâmetro. A fuselagem foi feita com isopor de 40mm, do tipo P3, um pouco mais denso do que aquele encontrado em bazares (fácil de ser obtido em lojas de artigos para refrigeração). O leme é uma peça única de depron, sem superfícies móveis.

Um close do meu "mixer" mecânico. É fácil entender como ele funciona: o servo da direita controla a direção, movendo uma superfície para cada lado, como ailerons comuns. Ele é montado em uma base deslizante de balsa e esta é movida para frente ou para trás pelo outro servo, à esquerda. Esta é a função profundor, que move as duas superfícies simultâneamente.

Todos os vôos foram feitos com o motor IPS, mas definitivamente este modelo pede um motor maior, mesmo com o peso total ficando em torno de 180 gramas. O vôo pode ser tranquilo ou violento, dependendo da quantidade de comando permitida (é bom começar manso e só arrepiar depois de alguns vôos). Roll´s e looping´s são possíveis e até fáceis, mas requerem um pequeno mergulho para ganhar velocidade. Um ponto forte do modelo é a alta tendência de manter "hovering", ou o vôo pairado, pendurado na hélice. Mas para quem pretende tentar esta brincadeira um motor maior é indispensável, assim como o leme móvel, opcional.

E aí uma foto da capacidade de vertical infinito (limitado apenas ao chão). Brincadeiras à parte, o modelo é bastante manobrável e com bastante treino até pode ser voado indoor, no espaço de um ginásio, por exemplo. A patriótica pintura da minha versão tupiniquim é uma homenagem ao penta e foi feita com sulfite de baixa gramatura impresso, recoberto com fita adesiva larga. Atualmente inativo o Drenalyn espera oportunidade de voar com um motor mais parrudo (um speed 300, talvez?).


AB-280



O Asa Baixa para motor 280, ou AB-280 (santa criatividade para nomear aviões) é um projeto meu, embora há quem jure que já viu este modelo antes. Bem, a verdade é que é um design bem básico e posso citar pelo menos outros 5 aviões entre elétricos ou não que se parecem bastante com ele. Particularmente, me inspirei num modelinho da Hobby Lobby chamado Champion. O AB-280 tem a fuselagem de isopor P3, asas e superfícies de cauda de depron e usa motor 280 "genérico". A envergadura é de 69 cm com a asa menor e 79 cm com a asa maior (sem ailerons). Infelizmente, devido ao curto período de atividade, não tenho nenhuma foto dele voando...


A idéia inicial era fazer um avião asa baixa, com perfil semi-simétrico que voasse com um motor speed 280 direct drive, ou seja, sem redução. O modelo seria alimentado por 7 células de 350mA/h, NiMh, e com controle Full House, os 4 canais operantes: acelerador, leme, profundor e aileron.

Inicialmente o AB-280 foi dotado de trem triciclo, com a bequilha dianteira sendo comandada pelo canal do leme. Testes iniciais me mostraram que o motor sem redução não seria suficiente para tira-lo do chão, assim adotei a redução de 3:1 e uma hélice maior (8x6). Mesmo assim não consegui mais que uns rasantes.

Um dos maiores problemas era que o espaço no avião era crítico e seria impossível colocar uma bateria maior, que otimizasse a performance do meu motor. Optei então por transforma-lo num slowflyer, que voasse mais na asa que no motor. Fiz uma nova asa com perfil côncavo/convexo, maior, com mais diedro e sem ailerons e modifiquei o trem de pousos triciclo para convencional, a fim de poder usar hélices maiores. Modifiquei a redução do motor para 4:1 e coloquei hélice APC 10x7. Sem escolha, mantive a bateria NiMh de 350mA/h.

As primeiras tentativas de vôo ainda não foram bem sucedidas, com o avião claramente "faltando" motor (na verdade, o que faltava era bateria), sendo lançado manualmente. Resolvi confirmar minha teoria da bateria amarrando um pack com 8 células NiCd na parte inferior da asa e, voilá, o avião vôou como deveria ter voado desde o começo. O problema é que um pack de baterias amarrado debaixo da asa acaba com a estética de qualquer modelo. Conclusão: depois de uns pousos vôos razoáveis o AB-280 foi desativado para ceder os servos a outro avião.


Air Camper 280



Nunca escondi minha paixão pelos aviões de época e decidi que após a aparente frustração com o AB-280 somente contruir um destes desafetaria meus ânimos. Passeando pelos muitos sites sobre aviação da rede me deparei com o Air Camper (veja a foto no fim da página) e foi amor à primeira vista! Um avião civil dos anos 30, no melhor do estilo homebuilt. E parasol!!! (Para quem não sabe, parasol é um tipo de modelo em que a asa é ligada à fuselagem somente por montantes e estais). Estava escolhido o bicho, agora só faltava achar uma planta.

Procurei por plantas deste avião na internet mas só achei uma, para motor glow. Ótimo! Baseado nela fiz os templates reduzidos (faça download deles!), que são os formatos básicos do avião mandei ver no depron. O Air Camper de verdade é um slowflyer em escala cheia, assim apostei num modelo que deveria voar mais na asa que no motor. Por isso escolhi o 280 e uma asa enorme.

O Air Camper foi quase totalmente feito com depron, com poucas excessões. A pintura, que ficou surpreendentemente boa foi feita com esmalte sintético Coralit, não diluído (thinner ataca o depron). O nariz curto do avião torna as coisas um pouco complicadas na hora de balancear. Para alcançar o CG ideal ele precisou de 25 gramas de chumbo no nariz, mesmo com a bateria encostada na parede de fogo.

O montante da asa foi feito com palitos de sorvete e os estais propriamente nunca foram colocados (por mero descuido, admito). O trem de pouso, que ficou muito robusto, foi feito com bambu redondo (do tipo usado para assar carne de churrasco) e um arame de aço como eixo. Também é de bambu o reforço que vai da raiz até pouco depois do meio da asa. As nervuras são de balsa de 1/8". A bequilha traseira é controlada junto com o leme.

Os primeiros vôos de teste, ainda sem a pintura, foram realizados no Pacaembu e só não foram um sucesso devido a um "pequeno incidente" relacionado a controles invertidos 8^( . Também devido à grande asa (1 metro de envergadura), o modelo é bastante sensível ao vento. O motor usado, um speed 280 com redução de 4:1 e hélice 10x4,7 se mostrou bastante eficiente para este avião.

Com um pack de baterias de 8 células, 600mA/h, de Nimh o peso total gira em torno de 300 gramas e o tempo de vôo por volta de 10 minutos. Com carga alar em torno de 20g/dm² e um generoso diedro, o vôo é lento e estável o bastante para áreas de vôo relativamente pequenas, como meio campo de futebol. Só uma consideração: o vento deve ser evitado a todo custo!

Concluindo: um bom avião para vôos assim, relaxantes ao pôr do sol. Meu Air Camper agora se prepara para "ir para a parede" depois de muitos serviços prestados, a maioria satisfatoriamente. Recomendo este modelo até como primeiro projeto em depron, pois a construção é rápida e a manutenção tem baixo custo. Para quem quiser se arriscar, coloquei algumas fotos da construção e algumas dicas no artigo "O básico do depron" que podem ser úteis. Bons pousos!


Este é o Air Camper de verdade, um slowflyer em escala cheia!
Dados do avião original:

Nome: Pietenpol Air Camper
Tipo: Monoplano, Parasol, dois lugares
Primeiro Vôo: 1929
Motorização: Ford modelo A, 40 HP
Envergadura: 9 metros
Comprimento: 5,7 metros
Altura: 2 metros
Área da Asa: 14,44 m²
Peso máximo para decolagem: 580 quilos
Velocidade de Stol: 30 nós
Velocidade Máxima: 90 nós
Teto de Serviço: 10000 pés
Razão de Subida: 700 pés/min
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