GWS E-Starter

Por Alexandre Magalhãaes

Como aconteceu no natal anterior com o SlowStick, comprei meu SlowStick na TwoHobbies no Natal de 2005. Sempre gostei do vôo deles e como meus filhos queriam me dar um aeromodelo de presente, desta vez o escolhido foi o E-Starter.

Como é um pouco mais complexo para montar do que o SlowStick, desta vez não terminei depois da ceia, deixei para o dia seguinte, mas em poucas horas estava pronto para voar.

Exceto receptor, servos, bateria e speed, na caixa vem tudo que é necessário para fazê-lo voar.

O que veio:

Montei o meu exatamente como está descrito no manual para poder testar os passos e ao contrário do que alguns chatos do RCgroups reclamam, tudo encaixa certinho e o resultado é ótimo.

Pesos dos componentes:

Subtotal: 300g sem equipamentos

Para complementá-lo, pretendia acrescentar estes ítens:

Total estimado: 470g

Com isto, ele ficaria com estas características:

A carga alar não é das mais baixas, mas o perfil da asa é ótimo para atrasar o stall e permitir alguns pousos mais lentos sem grandes sustos.

A impressão ao abrir a caixa é que é realmente feito para um iniciante. As peças têm encaixes para garantir o alinhamento, o desenho do avião já dá a impressão de ser um bom voador.

O acabamento é taiwanês, não alemão, portanto há marcas de injeção nas asas, deriva e estabilizador. Na fuselagem estas marcas são internas e não causam problemas. Em compensação não custa nem metade do preço de um modelo da Graupner ou Kyosho, e provavelmente voa melhor do que muitos deles.

No estabilizador horizontal as marcas de injeção são embaixo, assim como na asa. No vertical são do lado direito.

Nada disto atrapalha a impressão dele em distância de vôo, mas como queria um acabamento um pouco melhor, usei um pouco de lixa para retirá-las.

Dando uma olhada geral, ele parece um Cessna, na verdade, parece dois Cessnas...

Cheguei a pensar em alterar a deriva, colocar trem triciclo e fazer um Cessna 172, mas acabei fazendo-o original porque quero testar o vôo exatamente como deveria ser de fábrica.

Acabou ficando um pouco mais pesado do que pretendia, como não sou um exímio piloto, entelei a asa com fita de embalagem transparente e usei uma longarina de fibra de vidro de ponta a ponta, como faço em todos meus modelos, e usei um servo mini de 30g para os ailerons (coloquei para testar, mas encaixou tão perfeitamente que acabei deixando-o, posteriormente troquei por um Waypoint de 9g, mas NaroStd fica perfeito).

De resto, fiz como recomendado mas como a asa já está reforçada, dispensei os estóis. Peso final:

Na árvore de peças que vem tem suporte para bequilha dianteira móvel, ou um encaixe adicional para usar flutuadores.

Após tudo montado ficou bem bonito, com um acabamento muito melhor do que costumo dar a meus modelos, gostei.

Os únicos comentários que tenho com relação ao passo-a-passo do manual, mas que apliquei somente após montado para ver como ficaria seguindo à risca, são:

  • Como meus modelos sempre acertam algum poste, decidi reforçar a asa, profundor e leme, assim usei uma vareta de fibra mais longa sob a asa, pequenas varetas de bambú no bordo de ataque do estabilizador horizontal e por dentro do estabilizador vertical.
  • Lixei levemente a fuselagem e asa para tirar as marcas de injeção, com a asa mais lisa, cobri-a de fita adesiva transparente, como reforço;
  • Não liguei a bequilha ao leme como sugerido no manual, usei uma torre plástica que vinha junto para deixá-la como roda livre, assim evitaria quebrar o leme ou o servo num pouso mais desastrado;
  • Também prevendo a lenha de praxe, não usei os estóis que vêm no kit, e prendi a asa com elásticos (vêm elásticos e varetas de bambú para fazer isto).

    Como equipamento de bordo, usei receptor GWS R6N, speed ICS300, 3 servos GWS NaroStd, bateria LiIon 1400mAh 3S.

    Este conjunto é suficiente para voar bem, com potência de sobra para enfrentar algum vento e para sair de enrascadas.

    O vôo

    Apesar da hélice original ser 10x6, resolvi testar com 10x8 para ter mais empuxo. Ficou animal, subindo na vertical, mas é meio sofrido para o motor então o segundo vôo fiz com a 10x6 mesmo. O teste da 10x8 foi com uma LiPo 3S 1200mAh, que esquentou um pouco.

    Com a 10x6, mesmo pesadão, ficou ótimo com 3S, correndo mais que com a 10x8 e subindo forte (mas não na vertical). Em compensação, a bateria durou mais e o motor ficou mais frio. É esta que vai ficar.

    A decolagem com o conjunto propulsor original e 3S ocorre em menos de 3m. O vôo é bem mais rápido do que um SlowStick, por exemplo, mas perfeitamente controlável, já que é um modelo muito estável.

    Com a 10x6, testei 3S LiPo 1200mAh E-tec (pesando 80g) e 3S LiIon 1400mAh STA (pesando 120g). Nos dois casos voou muito bem, como a LiIon encaixa melhor na fuselagem, passará a ser a bateria oficial do modelo.

    O leme é bastante efetivo para manobrar e devido ao diedro pode-se optar por leme e profundor com ótimos resultados.

    O formato da asa é uma ótima sacada da GWS, o stall de ponta não ocorre como na maioria dos modelos, pode-se voar com muito comando de aileron mesmo em baixa velocidade que ele não estola facilmente. Portanto se a idéia for economizar servos, aileron e profundor também está de bom tamanho.

    O stall ocorre de maneira dócil, abaixando o nariz mas sem entrar em mergulho. Forçando stall com 40% de motor levantando o nariz até estolar, o nariz desce até ficar nivelado sem perder altura. Sem motor entra numa descendente a 30º, bem fácil de recuperar.

    Stall de ponta de asa só acontece quando a asa já está no limite do stall, mas ao contrário da maioria dos modelos, em vez de a asa cair de repente e iniciar um parafuso, o comando de aileron parece perder efeito e no limite funciona invertido (o lado do aileron que está para baixo estola e dá mais arrasto, descendo suavemente a asa em vez de subir e inclinando o modelo para este lado devido ao maior arrasto).

    No meu o stall de ponta de asa causou um giro de cerca de 30º por segundo, lento o bastante para que se perceba o que está havendo e se corrija. O efeito é que em vez de cair, ele vira para o lado errado, bem mais fácil de recuperar.

    O primeiro pouso foi na mão, como tinha pouco espaço fiz a aproximação lenta e no final segurei pela asa.

    O segundo pouso foi no chão, mas meu filho resolveu atravessar a minha "pista" bem na hora que toquei o trem no chão. Resultado, acertou a asa na canela dele e acabou causando o primeiro crash-test do modelo.

    Como a asa está fitada não teria sido grande coisa, se não houvesse um tarugo na parte de baixo da asa para alinhamento e apoio quando se prende a asa com pino e parafuso. Esta parte forçou a fuselagem e causou um trinco no isopor, coisa fácil de ser consertada com epóxi por dentro da fuselagem, mas com certeza deixarei a parte de baixo da asa lisa para que ela possa girar livremente em um impacto.

    Com o CG no local indicado no manual e os comandos alinhados, o vôo é muito fácil. Basta colocar no chão liso contra o vento, acelerar e em poucos metros ele sai do chão e começa a subir reto, geralmente sem necessidade de correção.

    As curvas com aileron e profundor são fáceis e ele aceita curvas muito fechadas sem nenhum risco de estolar. Da mesma forma, a recuperação de um eventual mergulho ou stall é muito fácil, as reações são ágeis e previsíveis.

    Brincadeiras legais de se fazer com ele, servem como treino para vôo com 4 canais:

    Detalhes

    Fixação dos servos por encaixe:

    Receptor preso na lateral com velcro, saindo por baixo da asa, mais fácil de tirar e colocar, e a antena fica mais longe dos links, melhorando o alcance.

    Calço de depron para encaixar servo Naro, reforço de fibra soba a asa e fita de embalagem protegendo-a.

    Reforço de bambú no bordo de ataque do estabilizador horizontal.

    Corte para caber uma bateria maior, presa com velcro, e tampa em depron para ligar o fio da bateria no speed

    Rodinha da bequilha boba, sem ligá-la ao leme

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